.
.

.
.
.
.
.
.
Na mesa de um café,
perto das salas de cinema,
no Monumental...,
8 de Julho de 1999...
- E ali ficamos os dois, sentados frente a frente, longe de tudo e rodeados por tantos. Tinha a intenção de me despedir, de dizer que agora já não te amo...., mas as minhas mãos tremiam, e a minha alma espantava-se !! Tu estavas tão diferente. Tão negra e poluída com essa merda de cheiro a tabaco. Tinhas tanto de humano que quase parecia ser um aviso a que não liguei. Falaste primeiro e a conversa foi curta, fria, tão diferente de todas as outras que para trás ficaram..., tudo aconteceu em poucos minutos e de repente eles já lá não estavam, separados para sempre. Tu foste embora e eu fiquei por ali a imaginar o ódio que queria ter sentido mas que não fui capaz. Encostei a minha cabeça ao vidro e vi-te lá em baixo perto da entrada do metro, olhei-te... e deixei-o por ali ficar ...
... e na mesa ao lado ...
- Olho para ti como uma pintura, olho a curva do teu pescoço nu pela inclinação da cabeça junto ao vidro, vejo os teus olhos vazios porque não estão lá mas nas costas da mulher para quem olhas, as mãos enroladas amarrando-te as palavras... sim, estou na mesa ao lado e olho alguém que não conheço e que subitamente encosta a cabeça no vidro e se perde para sempre ...
.
.
.
.








