sexta-feira, maio 05, 2006

Um episódio real

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Na mesa de um café,
perto das salas de cinema,
no Monumental...,

8 de Julho de 1999...

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- E ali ficamos os dois, sentados frente a frente, longe de tudo e rodeados por tantos. Tinha a intenção de me despedir, de dizer que agora já não te amo...., mas as minhas mãos tremiam, e a minha alma espantava-se !! Tu estavas tão diferente. Tão negra e poluída com essa merda de cheiro a tabaco. Tinhas tanto de humano que quase parecia ser um aviso a que não liguei. Falaste primeiro e a conversa foi curta, fria, tão diferente de todas as outras que para trás ficaram..., tudo aconteceu em poucos minutos e de repente eles já lá não estavam, separados para sempre. Tu foste embora e eu fiquei por ali a imaginar o ódio que queria ter sentido mas que não fui capaz. Encostei a minha cabeça ao vidro e vi-te lá em baixo perto da entrada do metro, olhei-te... e deixei-o por ali ficar ...
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... e na mesa ao lado ...
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- Olho para ti como uma pintura, olho a curva do teu pescoço nu pela inclinação da cabeça junto ao vidro, vejo os teus olhos vazios porque não estão lá mas nas costas da mulher para quem olhas, as mãos enroladas amarrando-te as palavras... sim, estou na mesa ao lado e olho alguém que não conheço e que subitamente encosta a cabeça no vidro e se perde para sempre ...

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segunda-feira, maio 01, 2006

Retrato a branco e preto

Mar ...
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de mim à estrela
um passo me separa
dela ao céu,
o espaço de uma imensidão
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medir distancias
é ver aves no céu
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que sem rumo,
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voam sem direcção
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... Agua ...

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Ergo o copo,

e brindo pela vida de uma rosa

que já não o é,

pois cinza é o metro e a cor dela... .

O sol piscou-me o olho

e contou-me uma anedota

mas já me esqueci

só me quero lembrar

o como ela era bela

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... Rio ...

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Talvez me engane

esse teu olhar

Talvez já não seja certa

a cor do céu

talvez já não faça sentido

haver azul no mar

talvez seja outro o destino,

daquele que ontem

fui eu


... Tejo ...

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... De mim à estrela

um passo me separa

... e ergo o copo

e brindo pela vida de uma rosa

... talvez me engane

esse teu olhar

... e não seja poesia

aquilo que eu escrevo aqui

em prosa

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... Azul

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...engraçado,

agora vejo que foi necessário escrever-te adeus

para te chamar pelo teu nome.

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nota: hoje, um pouco assim

a preto e branco

sexta-feira, abril 28, 2006

Fotografia ... 1

Look at this photograph ...
Every time I do it makes me ...
How did our eyes get so...
And what the...
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... this is where I grew up

I think the present...

I never knew we'd ever...

... is hard for...

*

Every memory of looking out the back door

I have the photo album spread out on my bedroom floor

(...)

Every memory of walking out the front door

I found the photo ... I was looking for

(...)

apenas uma fotografia

nenhuma memória

ficaram lá todas

no som de uma bala

sábado, abril 22, 2006

eu não sei quem te perdeu...



Foram supostos sonhos,
deixados ao acaso

É o canto de uma sereia
em noites de calmaria
São botões que fecham,
a boca que por ele afago
São pedras que atirou,
a quem ele chama de Maria
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São flores cortadas,
por mãos tão frias


São peixes azuis,
perdidos pela bondade
São olhos a olhar,
o mar que ele não via
São estrelas adormecidas,

em sofás pela vontade
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É um piano perdido,


em areia tão quente ...
É a humidade cinzenta,
a escorregar do nada
É a transpiração do corpo,
na alma que mente
É a traição da alma,
numa praia queimada
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(...)

E saiu do corpo,
a alma
que já se perdeu

E ardem na fogueira,
as flores que tu guardavas

Ficam lá os pecados,
daquele que foi ateu

Ficam lá guardados...
longe daquele
que um dia tu amavas

daquele

que um dia
te perdeu