sábado, agosto 12, 2006

off ...

*
*

" Foram tantas as palavras que derramámos,
foram tantos grãos de areia que juntos pisámos….
E à noite, por entre dispersos episódios de uma vida de teatro,
o reflexo do teu brilho na lua,
e a luz dessa lua no meu olhar."
*

*
Vou passar um tempo fora...
no sul ...
em terras de mouros e calor...
talvez enfrentando alguns fantasmas
não sei...

...
"peço desculpa" a quem "devo" palavras
... vou tentar pintá-las antes de partir

Até Setembro...

espero voltar de novo em

"on"


Bjs doces e abraços sentidos

Pescador




quinta-feira, agosto 03, 2006

Há uma gazela olhando

*

*

*

Odiar é na dor
a lágrima d’uma rosa
É "sem" mil vezes desejar
mal a quem amo
É gritar com aquele
que a matar chora
Por entre as margens
de um olhar de medo,
por um deus de olhar profano
*

Quero-te bem e talvez mal...
e não será isso normal !?!
Pois não serei eu gente
no meio da multidão !?!
Ou serei eu diferente
no meio desta gente...
que vive como eu
no meio da luz...,
presa pela escuridão
*

Mas quando sou normal,
sinto-me como água sem sal
Como se fosse um céu azul
a girar sem vida
É como na areia remar,
e ter assim que ganhar
É um caminho horrível,
sem volta, só ida...
*
*
*
*

Será que foi um desejo
aquilo que eu desejei
O caminho trilhado,
talvez apenas fosse uma miragem
De um gigante que fui,
mas hoje já não sei...
Se foi ser audaz no veleiro...,
ou mero jeito de ser ...
...na viagem
*

Há uma gazela olhando,
mas eu não disparo
Estou bem onde estou,
aqui na savana
Mas atento,
reparo num som,
num, diz paro
De alguém ao meu lado,
de alguém que não sou.
*
*

*

*

Acho que todos nós temos um recanto
nas profundidades da nossa alma
que é negro... perverso, assustador !!
...nunca o sentiram ???

...

sou apenas um homem...

imperfeito

quinta-feira, julho 27, 2006

Eu hoje queria...

*


*
Eu hoje tentei
de amarelo pintar o mar
E as estrelas na terra...
cairam todas do céu
Eu hoje queria pôr
todos os peixes a voar
Eu queria toca-los...,
ali...,
como se fossem meus.
*
Eu hoje queria ser capaz
de na lua viver
Outra vez,
e talvez só por querer
Eu queria ser capaz
de na terra sonhar
E no meio d’uma ilha
num deserto acordar
*
Eu hoje queria ser capaz
de olhar para ti e o mar ver
Ser aqui sozinho
com muita gente em redor
Eu queria plantar sonhos
e sorrisos colher
Eu queria tocar-te,
assim...
com mãos cheias de amor
*
Eu hoje queria ser o mágico
na rede de um pescador
Um valente artesão
na pele de um eterno poeta
Eu queria ser amo
daquele que vem como libertador
Eu queria sonhar...
e ser hoje ...
o meu próprio profeta

*

*

*





Este poema é para o F. .

O F. é um rapaz que eu não conheço e que não me conhece...
e que possivelmente, nunca nos iremos conhecer...
O F. está passar um mau bocado ... mas eu acredito que ele... que tu vais recuperar...,
porque tu meu caro F. tens um anjo perto de ti...,
por isso respeita-a, ama-a ... sempre, mas sempre !!
Sabes F. não te deixo aqui orações...

porque eu não sei rezar,

nem sequer sou crente em coisa alguma...

talvez apenas no Homem quando consegue ser Principezinho.

Por isso deixo-te um poema...
um poema sobre um homem...
um homem que hoje queria ter poderes especiais...
poderes para poder ...
dar vida aos sonhos... .
Um abraço F. e as melhoras miudo !!

Pescador

...

esta música ...,

porque ...

domingo, julho 23, 2006

Praia da Rocha...







Uma Sereia chegou um dia ao Algarve, não se sabe bem de onde. Instalou-se à beira-mar, descansando de uma jornada que deve ter sido longa e fatigante.
Um Pescador que por ali andava na sua faina viu-a, e admirado com aquela intrusão nos seus domínios, aproximou-se e disse:
- Não sei donde vieste, mas devo informar-te de que tudo isto que vês é meu. Foi o Mar que criou este sítio e eu sou filho do Mar!
Sorriu a Sereia de tal maneira que prendeu o Pescador, respondendo-lhe:
- Venho de longe, Pescador, de muito longe. Aportei aqui depois de muito procurar, e tanto sossego achei que quero ficar.
- Como te chamas? Quem és? - quis saber o filho do Mar.
- Não tenho nome, Pescador. Sou apenas o que sou, Sereia.
- Bem-vinda sejas então, Sereia, a este local que já é teu!
Foi então que, de longe, se fez ouvir uma voz agreste e rude:
- Não dês o que não é teu, Pescador! Esta terra é minha, foi a montanha que a criou! Eu sou o filho da Serra e tudo o que vês me pertence!
- Assim sendo, Serrano - susurrou a sereia - talvez sejas tu o fim da minha jornada.
- Deixa-o falar, Sereia! Que pode ele e a sua Serra contra o poder de meu pai, contra as ondas sem dono!...
- Ah, ah, ah! - riu o serrano
- Tenta tu subir à Serra! Que poderão as tuas ondas contra a robustez que herdei da minha mãe. Mais poderoso sou eu, que quando quiser, posso criar montanhas dentro do Mar!
Parecia iminente a luta entre os dois gigantes; procurava o Mar acalmar as suas ondas, que cresciam e engrossavam; toldava-se a Serra, agitando as urzes e os pinheiros. Deleitava-se a Sereia com a violência do amor que neles via crescer, mas disse-lhes:
- Não se zanguem! Eu vou esperar aqui que me tragam provas das vossas forças. Mas agora ide, estou cansada e quero repousar!
Lentamente afastaram-se areal fora os dois rivais. Um entrou pelo Mar dentro, o outro subiu à Serra. Iam pensativos, procurando a melhor maneira de convencer a Sereia.Ela, por seu lado, instalou-se como se em casa estivesse e esperou.Chegou primeiro o Pescador. Trouxe-lhe o Mar e estendeu-o a seus pés, pintando-o verde suave à bordinha, e azul profundo lá ao longe, dizendo:
- Tudo isto é o meu Mar, e é teu, Sereia!
E a Sereia ficou a olhar o mar, deleitando-se com o seu ondular. Subitamente, ouviu o Serrano:
- Sereia, aqui estou: dar-te-ei um trono de pedra lá no alto do mundo. Já pedi ao vento que te embalasse o sono, ao sol que te aquecesse os dias, e às fontes que te refrescassem as horas. Vem comigo e serás a rainha da Serra.
- Chegaste tarde, Serrano! Já me sinto a rainha do Mar - respondeu a Sereia.
Enfurecida por ser rejeitada, a Serra fez rolar enormes rochedos até ao Mar, rodeando a Sereia: se esta não subia à Serra, descia a Serra ao Mar.O Mar zangou-se, e durante noites e dias, dias e noites, atirou-se contra as rochas, mas não conseguiu desfazê-las.E assim continuaram até que a Sereia, não sendo capaz de se decidir, transformou-se numa areia tão fina como não há outra igual, recebendo o tributo eterno dos dois eternos gigantes enamorados, umas vezes rivais, outras inimigos, outras ainda grandes amigos.
O lugar tem hoje o nome de Praia da Rocha.