
Num copo de vinho frio fica o conforto
É o cristal que lhe diz para não chorar
Deitada espera que se venha rápido o porco
Em lábios fechados vazios a secar

Mas a noite está lá para lhe lembrar
Das mãos sujas que lhe tocam a medo
Dos olhos negros que lhe tentam magoar
Com o poder da posse que lhes dá o ego

Mas o quarto vazio é agora o único amigo
E o final da noite um quente cobertor
As notas deitadas na cama são o inimigo
Deixadas pelo Juiz e pelo Sr.Professor

O dinheiro não lhe trouxe a liberdade
Passou a ser apenas um disfarce a usar
Para que ela não pense na possibilidade
De se estar a vender ou a deixar comprar

Perder a alma não é vida para uma jovem
Mas é tudo uma questão de sorte ou azar
Pois a mulher que se vende a um homem
Espera sempre,
que ele
nunca
a consiga comprar