A SOLIDÃO QUE ESVAZIA O NOSSO ESTAR SÓ
É COMO UMA HISTÓRIA QUE NÃO ACONTECEU
ONDE A VONTADE SE PRENDE COM UM NÓ
A UMA NUVEM AMARELA QUE FUGIU DO CÉU

E É ESTAR PORQUE SE É O PORQUÊ DE ALGO
ONDE OS TRAÇOS SE PINTAM AO CONTRÁRIO
POR ENTRE AMOR USADO VENDIDO EM SALDO
EMBRULHADO EM PAPEL
NO FUNDO DE UM ARMÁRIO

E SE OS LAPSOS QUE VOGAM SEM DIRECÇÃO
LAPIDAM A LÂMINA AFIADA QUE NOS CORRÓI
ESCREVER PASSOU A SER UMA TENTAÇÃO
QUE ALIVIA A FERIDA QUE JÁ NÃO NOS DÓI

FICAM AS SOMBRAS DE COISA ALGUMA
QUE ESCONDEM A COBARDIA E O LAMENTO
QUE NO SER NAVEGA SEM RUMO NEM PRUMA

MIRAGEM DE UMA AFRONTA QUE NOS TOCA
POR ENTRE A VORAZ AUSÊNCIA DA PALAVRA
NUM SILÊNCIO QUE NOS RODEIA E RETOCA
CASTRA, FERE, MATA, AMARGA E AFOGA


E NA AUSÊNCIA DO SOM DEIXO-ME AFOGAR
ABANDONANDO O PALCO DESTA TUA POESIA
RETIRO-ME SABENDO QUE NÃO SEI POETIZAR
APESAR DE GRITAR : ISTO É TUDO, UMA SIMPLES IRONIA
RESQUICIOS DAQUILO QUE ESTE POST JÁ FOI
"adorava ter tido a inspiração necessária
para deixar aqui palavras
que podessem fazer companhia
a esta música... "