quinta-feira, junho 22, 2006

Trilogia: Esboço (s) ....


Corpo de mulher,



brancas colinas,

coxas brancas,


assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.






O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti








e faz saltar o filho do mais fundo da terra.




Fui só como

um tunel







De mim fugiam os pássaros,










e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.


Para sobreviver forjei-te como uma arma,


como uma flecha no meu arco,



como uma pedra na minha funda.


Mas desce a hora da vingança,


e eu amo-te.


Corpo de pele, de musgo,

de leite ávido e firme.
Ah, os copos do peito!


Ah os olhos de ausência!


Ah as rosas do púbis!




Ah a tua voz lenta e triste!


Corpo de mulher minha,

persistirei na tua graça.




Minha sede,




minha ânsia sem limite,







meu caminho indeciso !
















Escuros regos onde a sede eterna continua,







e a fadiga continua,









e a dor infinita.







Pablo Neruda




domingo, junho 18, 2006

Trilogia: Contrastes...

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tudo aqui é
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e deixa de ser
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é o sorriso de um olhar
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é a violência de um rosto
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são as crianças que pintei
e os adultos que apaguei
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é a cor pintada
que não consegue pintar
o preto e branco
é a musica que não combina com a letra
e a voz com o ritmo
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é alma que sente
e a mão que escreve

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é o sorriso que devora
e a lágrima que seca
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é pedir
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e não ter ....
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são contrastes
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entre aquilo que eles são...
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... e aquilo que
os deixam ser
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NOTA
Não era para ser este o post, mas hoje vi algo que me fez reinventar aquilo que eu queria aqui pintar.
Sobrou apenas o titulo...

quinta-feira, junho 15, 2006

Trilogia: Olhares...

A Banda Sonora deste post






olhar
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regarder

betrachten

εξετάσει

guardare

взгляд

mirada

look


sábado, junho 10, 2006

É(ra) tão mais fácil...



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É(ra) tão mais fácil
deixar o coração nas estrelas
E apreciá-las a pairar no céu
Do que prender à luz de um farol,
o rumor dos teus passos distantes
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É(ra) tão mais fácil
pousar os olhos no mar
E apreciar o nascer mudo das formas
Do que querer que voltes a nascer na praia,
dando vida à forma vazia
de uma eterna esperança
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É(ra) tão mais fácil
deixar de sonhar
E esquecer as cores e os corpos na areia
Do que querer naquela sombra acreditar
Quando dizia que era o sol ,
o frio que brincava à minha beira
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***
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É(ra) tão mais fácil
continuar a escrever,
aqui, sozinho
Vendo as multidões de cinzento
e os barcos de azul
Do que querer que tu sejas um anjo
Nesse teu corpo delicado
de uma talvez, mera mulher
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É mais fácil,
dizer que é(ra) tão mais fácil
Sabendo que o difícil
é simplesmente dizer...
Pois a palavra que se diz magoa
e a que fica calada
faz doer…
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Estas palavras foram inspiradas
em quem tenta esquecer !!