domingo, julho 19, 2009

As cartas que eu nunca te enviei - Vol.1



Olá Mar...!!

...
Por vezes deixo-me ficar aqui, sentado na minha cama a pensar nela...., a pensar em ti, a tentar lembrar-me da segunda vez...
Da segunda vez que te vi..., que a vi..., a ela.
Quando te vi, bronzeada, estendida na areia, pensei que beleza é algo que assume contornos estranhos, e que a visão é tão facilmente vitima das bebedeiras do sentir.
Contudo estas divagações perdem razão de ser porque a minha existência actual é passado, e não posso orientá-la por aquilo de que tenho medo, tanto mais, que no fundo e à primeira vista eu não tenho nada, a ser esta visão de ti, quando te vi assim, pela segunda vez.
Sabes eu quis....,
eu quis naquele momento aproximar-me de ti e dizer olá, e sabes, fi-lo, mas fi-lo porque talvez a ausência que nos consome quando a espera de algo nos atormenta, se torna num querer que foi suficentemente forte para abafar a minha então tão estranha timidez e ou falta de coragem.
Mas no entanto, tive medo ao aproximar-me, medo de que te apercebesses que eu tremia, pois embora tivesses ali deitada, eu sentia que tu eras ela, aquela que dava forma à coragem para não fugir da metade que nos completa, a forma que nos leva a transcender esta existência mundana.
Naquela praia, trazida pelo vento foste uma carta que chegou trazendo vida em forma de letras, uma vida que era despida de palavras e frases. Ali deitada eras música a ecoar nos meus ouvidos. E bastou que esta fosse apenas a segunda vez que te via..., bastou que eu entendesse que contigo tudo era anormal, que eras capaz de me levar a entender o inexplicável, a voar criando asas no meu coração.
E eu voei, agarrado a sensações que transcendiam aquela praia que apesar de tudo era o centro do universo. E foi navegando neste olhar para ti que eu ouvi a tua resposta ao meu olá.
Chamaste-me e eu vim, dizeste para me sentar aqui, ali ao teu lado, e eu lá estava, sentado. Porém, quando dei comigo sentado ao teu lado a trocar algumas impressões com alguém que estava a ver pela segunda vez, sobre o tudo que existe no nada, sobre o azul e a madrugada, foi nesse preciso momento, que percebi que me estava a perder...., a perder nesse mundo novo, único e irreal, que existia somente quando eu olhava para ti, para esse olhar profundo, intangível e talvez tão pouco teu..
Agora que eu olho para trás, tenho a certeza que quando te vi deitada na praia, naquela segunda vez, foi nesse segundo feito uma eternidade que me apaixonei , e foi nesse preciso momento que eu me perdi.
Em segredo, de quem sabe que se está a perder.
Bjs
Pescador




Finais de Agosto de 1997

3 comentários:

Bruma disse...

Sabes Pescador, há um ditado que diz... "tudo o que acontece uma segunda vez, acontecerá uma terceira vez"...

Gostei de te ler...

Um bjinho grande

Drops disse...

Olá pescador, meu doce pescador...

As palavras saem-te e vão chegando a outros mares, talvez sem motivo específico, talvez com um propósito bem definido, talvez apenas por chegarem.

Hoje, as tuas palavras chegaram-me suaves, serenas, conformadas com a vida. Como estivessem premeditadas assim, e tu fosses apenas o mensageiro intencional que as faz chegar a tantos destinos.

Hoje Pescador, essas palavras trazem-me a vontade de um amor assim. De uma sensação que me faça tremer por dentro e por fora, de um medo absurdo que me faça sentir viva, feliz na expectativa de algo que poderia ser.

Hoje Pescador, admiro-te pela capacidade que tens em ser assim.

Um beijo com sabor a refresco de café
* R

Iruvienne disse...

como sempre poeta. mas quem fala de amor.. é sempre poeta nao?


este tipo de amor... voar é bom, tão bom.

mas as grandes altitudes podem ser assustadoras. e estes voos nunca trazem pára-quedas.. talvez por isso sejam memoraveis.

ja em 97 escrevias com todo o coraçao =) parece-me a mim.


apenas uma passagem rapida, bjo*