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sexta-feira, novembro 06, 2009

Dexistir...



Sentada junto a uma árvore, que ali apareceu

Com duas folhas amarelas que o sol tingiu
Com ninhos de pássaros, onde nada nasceu
Junto a uma estrada, por onde alguém fugiu







Não consegue, nem ninguém lhe ajuda’andar
Tudo anda à sua volta, num mundo a ruir
E a falar também não lhe consigo explicar
Que a cura da doença, é apenas tentar sorrir







Será que algum dia existiu, ou ainda existe !?!
Será melhor parar ou continuar a correr ?!?
Sonha com um passado, aonde o futuro desiste
daquela que ela é , e que nunca quis ser ...







Perdida no vazio, não sei o que lhe dizer
Qual é a música que tenho que lhe tocar
Em que papel é que tenho que escrever
Quais são as palavras, que tenho que usar








Com tantos retratos começa a sonhar
Baila num labirinto cheio de revolta
Aonde os espelhos não a deixam lutar
E os reflexos ficam a olhar à sua volta







Do passado não reza um futuro que está perto
Aonde ela pede o sol e amaldiçoa a tempestade
Será sonho, pesadelo, errado ou apenas certo
Será o desejo de um beijo,
ou apenas mera saudade





sábado, maio 30, 2009

Trilogia de uma mulher desesperada - Parte III



E chegas ao fim numa linha sem um horizonte
e vogas sobre o vazio que se abre a teus pés
é alta a falésia no fim de uma rua sem ponte
e a dor que sentes, por não seres quem tu és








Cambaleaste entre o muro e as ruas repetidas
e caiste nos braços do desdém e do desagrado
de joelhos guardas lágrimas nas tuas feridas
e no rosto as tatuagens do desespero marcado










Vejo-te assim à distancia uma mulher perdida
que se deixa levar sem sentido pela ausência
da sombra que se perdeu nela por ela na vida
como uma semente que não germina pela doença







Vejo-te ó mulher, presa a um desespero mortal
por tudo o que te falha numa vida sem sentido
é o amor, a criança, é vida sem cor e sem sal
num desespero que te come os sinais de perigo





Trilogia de uma mulher desesperada - Parte II







Oh sombra que passas indolente pela rua
calada num silêncio vertido na multidão
vais vestida de cinza com a tua alma nua
cruzando o destino com almas sem coração











Procuras o esvaziar da ausência presente
nas esquinas que
escondem nele o querer
pela sombra que busca em redor o que sente
nesse teu coração ferido pelo acto de bater






Vês-te presa ao rumo da pedra da calçada
que te leva embriagada para outro destino
onde o sentimento voa contigo arrastada
por entre os empurrões de um mero vizinho






Refugiada, deixas-te ficar num beco a caminho
pela história que te deixou tão maltratada
ela guarda a dor num copo de três com vinho
adormecendo uma mulher simplesmente desesperada






terça-feira, maio 12, 2009

Trilogia de uma mulher desesperada - Parte I

vislumbro-te no aceno de uma pétala
no mergulho de uma mulher já louca
que abre as pernas por quem desespera
na raiva contida que ficou à solta



















vejo-te na coragem oca de quem grita
presa às palavras de quem te engana
Onde o acto não te dá aquilo que tira
numa soma negativa, numa conta estranha



















Respiro-te, no fumo amargo do cigarro
no suor despendido pelo prazer ausente
no pensamento vazio,distante e bizarro
de um corpo com uma sombra diferente



















Tenho-te, à distancia de um mero olhar
entre as janelas que cruzavam a vida
na tua a chuva imitava a voz do chorar
de uma mulher desesperadamente possuida



domingo, julho 15, 2007

Mulher…(es)

Depois de uns dias perto da minha falésia preferida...
regresso e volto a encontrar inspiração naquilo que mais me inspira
a mulher...
mas esta(s) é especial.., não a conheço..., mas já a conheço ...
este poema é " feito de pedaços de mulheres " ...
mulheres que por aqui, se tornaram especiais na vida de um Pescador
... mulheres que já fazem parte da sua história...,
tatuagens na minha alma...













SE_DUZ,
perSEGUE-me,
e fica sentada
na ESQUINA a espreita…
EscONDE-se
e NÃO fala,
e fica à espERA
daquele que NÃO CHEGA









Sabe sorrir à LUA
com gestos bruscos
carregados de BELEZA
Com a mesma pureza ...
com que se vESTE de
BRANCO
Embora O sabor do lábio
TEM por vezes
o gosto do pranto…








PintAS FIOS
com a cor do sol,
LINHAS negras
a mEIo do rosto
Seguras JÓIAS
junto ao peito,
e ouves o GRITO da safira
tão perto...








Escondes os DEDOS
num bolso,
e o OLHAR…
perto da lua
deixas um RASTO de desGOSTO
GOSTO
por entre as sombras ...
da SOMBRA
de uma mulHER nua








Tu és o TRIGO
que é colhIDO no campo
e a ESMOLA
que me é posta no prATO,
TU ÉS a mendi
CIDADE
nos mEUs olhos…,
e a FORÇA que eu sinto
no teu abrAÇO








Tu és o VENTO
que soPRA do norte
e o SOL que me aQUEce
à noite no verão
Tu és o Janeiro
no PRINCIPIO de uma vIDA
Tu és o Agosto
no FIM de uma estação









Tu és MULHER
no meio de sombras
RETRATOS parados
de quem quis olhar
Tu és a ESTRELA
nas curvas e ondas
AMAR salgado
bendito PECADO
esse... de seres...
SIMPLESMENTE mulher