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sábado, março 06, 2010

Pescador...

(...)

Cá me encontro naquilo a que designo de quarto.
Começo a sentir cá dentro um “bichinho” da falta do que fazer, do que conhecer, enfim, sinto saudades de coisas novas, coisas desejosas de serem descobertas.
Estes dias têm sido estranhos, tão estranhos quanto o fenómeno das cabeças caídas em Lloret de Mar, ou talvez ainda pior….
A questão da pseudo-metamorfose.
Honestamente sinto-me na pele do camaleão, sabes aquele que muda de cor constantemente ou até mesmo para ir mais além na pele de F.Kafka e da sua metamorfose….
Afinal de que é que eu estou a falar ?
O que é certo que sempre que estou a ouvir U2, as palavras que escrevo tendem a ficar desconexas….
Agora passa uma das mais lindas do Bono e do Edge.
“ So Cruel “.
Bem, mas não foi para voltar do concerto mais esquisito que vivi que eu te escrevo.
Escrevo-te para uma vez mais partilhar contigo algo que até eu nem sei o que é e muito menos para onde vai…
Aliás, tudo aquilo que passámos nunca teve um destino concreto, foi sempre uma história que ambos escrevemos e vivemos sem nos preocuparmos com o possível final, se é que tem final....
A minha vida recomeça. Não como quando nascemos, mas é semelhante, agora vou mergulhar no escuro da vida, não sei ao certo o que me espera ou que o mundo espera de mim, e quando nascemos encontramos luz e já nos esperam há 9 meses….
Desejo que comece a chuva, o frio, o vento, enfim tudo aquilo que vem proporcionar um bem estar em casa, no aconchego de um quente e aconchegante cobertor e valorizar o calor humano que nestas estações mais frias é mais requerido.
No fundo ainda me estou a ressentir da tal falta de carinho, a tal carência de que te falei….
Gostava de estar permanentemente ocupada e rodeada de pessoas, pois cheguei à estranha conclusão que a solidão entristece-me e enfraquece-me, decididamente sou uma humanista….Decididamente também é a qualidade exuberante da música que os U2 proporcionam….Não sei mais que te dizer…. As palavras neste momento encalham os pensamentos que são demasiados para os conseguir capturar pela linguagem….Ás vezes gostava de ser outra pessoa, noutro corpo, noutra alma….



“ SOMEONE ELSE, SOME PLACE ELSE…”



“ I’m not like them
but I can pretende
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But I’m having fun
I think I’m dumb…
Or maybe just HAPPY…”

“Dumb” – Nirvana



Bem, meu caro, vou ficar por aqui esperando que Algo surja…, ou então que eu resolva procurar Algo…







Sempre (...)






(...)

Até breve eterno pescador….



PS: ….



sábado, janeiro 23, 2010

As cartas que eu nunca te enviei - Vol.8

Querida Marta



Quando o Amor chegou e não me disse nada, interroguei-me de forma áspera, se não haveria alguém no céu a querer criar na terra um outro rei sem reino para além do outros, pois os espinhos em minha coroa assim o pareciam denunciar…
Sabes, atravessei minhentas paixões, com as mais estranhas cores e formas, senti raiva e cólera pelo amigo que me traiu assim como pela amiga que não me quis ouvir, contudo e agora, posso-te dizer de forma clara e profundamente sentida que este amor foi uma luz que atingiu a minha de alma com um tal explendor que não o consigo ainda verdadeiramente compreender e assim, talvez, mas só talvez, só o deva sentir.

Sabes, este amor que respiro mas que não compreendo, precipita-me para um abismo de dúvidas e medos, levando-me a questionar constantemente sobre se isto é, ou se apenas sonho.
Porquê sentir algo que nos queima como se o fogo alado que une dois amantes, não fosse mais de que uma fogueira banal e despida de chamas e calor.
Não seria tudo isto mais simples se tu amor fosses apenas e simplesmente algo que me recebesse e me levasse levitando para um paraiso eterno de sensações e sentires milenares !?!
Sabes, eu pergunto-me constantemente porque é que tu vieste para mim, que caminho percorreste e quem é que te indicou o local aonde eu estava.
Às vezes desejo que digas que foi o sol e a lua, o mar e a praia, mas quase sempre sinto uma aragem fria a tocar-me no pescoço e a dizer que foram as folhas frias e o Outono, o cacto e a pedra negra, as setas que te orientaram, as asas que te trouxeram.
O certo é que o dia não é eterno como seria de imaginar e a noite não é preenchida em todas elas com o brilho da lua cheia.
Se tudo estivesse certo neste amor eu não diria que algo está errado, porque tremo por não ter a certeza de que a chuva que cai é filha das ondas que nos banharam e não das lágrimas que pintam à noite a minha face.
Sabes, o princípio criou-me ilusões sobre o que se aproximava, como se aquelas noites passadas a dois, perto de um mundo tão só nosso, fossem na realidade transbordantes taças do mais doce e profundo néctar, do mais suave e prefeito vinho.
Fiquei tão tonto com o amor que me embriagava, que me consumia, a tal ponto e de tal forma que não consegui ver quem era ela aquela silhueta que enchia as taças. Que forma tinha, quem era, o que dizia, e aquilo que eu recusava ouvir.
Tudo deveria ser perfeito, tudo era perfeito, mesmo quando tu disseste que havia outra presença celeste a iluminar a tua existência, tudo continuava, de forma absurda, perfeito.
Será este o castigo por amar como nunca amei até hoje !?!
Será isto verdadeiramente amar alguém !?!
Talvez...., pois o amor é sempre cruel quando cerca a nossa alma com a mais profunda sensação de entrega e de despojo, e ao mesmo tempo, nos condena com a mais pesada das penas..., que alguém abra um caminho desejado em direcção ao nosso coração, mas que o faça com uma espada em brasa e um espinho sem rosas
E talvez o mais doloroso é saber que tudo isto se resume-se a uma evidência que tenho que aceitar.
Se te amo, e eu sei que te amo, talvez mais não me resta que a sujeição a um fogo que é asa de um silêncio brusco e frio, metade de tudo o que posso ter, evidência que só se poderá extinguir com a minha própria morte.
Eu sei que te amo e que nunca serei capaz de deixar de te amar, amo-te quando te digo que te amo e amo-te ainda mais quando te digo que não te amo.
Gostaria de por este fardo a um canto, recusar esta cruz, vender a alma ao diabo, fechar os olhos ao teu brilho, mas não o consigo.
Talvez tudo acabe um dia, talvez o tempo acabe por ser a amizade que nos leva o que nos atormenta, e apenas fiquem as recordações da frescura das tuas mãos e da suavidade de um corpo que mudou o meu corpo ... de uma alma que mudou o meu destino.

Desejo vivamente que eu seja sempre capaz de ouvir o vento a bater no pontão, cheirar o aroma do mar quando o sol se põe no horizonte, pisar a areia da praia criando caminhos e sonhos, e espero que tu lá estejas do outro lado do mundo se é esse local que desejas, a ouvir o mesmo vento, a sentir a mesma maresia, a criar os teus caminhos e os teus sonhos.
Talvez seja um castigo que tenha que cumprir, talvez não..., mas sinto-me condenado ou abençoado a dizer que espero que alcances tudo o que o teu amor te ordenar e que vivas intensamente cada minuto da tua existência, pois podes ter a certeza que a sonhar, eu vou estar a tua espera.

Pois eu sei que um dia eu te amei... e que esse dia será para sempre eterno !!

Com amor,

Pescador

Ultimos dias do século passado

sábado, novembro 28, 2009

Conjugação do Verdo Adorar ( Bau de Memórias )

Adorei  os mergulhos que demos num Atlântico que parecia ser, naquele momento, muito mais azul que no princípio das férias.


Adorei  a sueca, apesar de uma certa frustração quanto aos resultados, mas por outro lado, acho que a parceria em tal jogo nunca será um futuro desportivo em comum.


Adorei  o seu gosto musical (acho que gosto mais de U2 agora do que a um mês atrás…) e a forma como ela vive a música.


Adorei  o nosso Wimblendon especial em terra batida, os seus serviços e passing shots de direita.


Adorei  o reflexo do espelho que fui encontrar no Algarve.


Adorei  o bife à Diana.


Adorei  os passeios que dávamos e cujo destino final escrevia-se sempre com a palavra farol, independentemente de termos a lua ou o sol por companhia (…mentira, gostava muito mais quando era a lua a fazer-nos companhia…).


Adorei  vê-la sozinha a contemplar o mar, perdida por entre pensamentos que valeriam de certeza mais do que os cinquenta centavos que lhe ofereci…, e ela estava lá tão perdida como perdidos ficavam os seus cabelos a flutuar nas mãos do vento.


Adorei  as conversas, as suas opiniões, a sua perspectiva do mundo.


Adorei  a forma como ela falava com poesia na boca.


Adorei  a rosa que me deu na noite em que nos despedimos.


Adorei  a sua sinceridade e a enorme capacidade de compaixão.


Adorei  a sua força, a sua garra e o seu carácter.


Adorei  sentir o calor da lua em noites de lua quase cheia.


Adorei  a forma como ela prometeu que iria deixar de fumar.


Adorei  a coruja que esvoaçou de uma conversa.


Adorei  o seu sorriso e as suas pestanas (don’t ask why !?!).


Adorei  ouvi-la falar de teatro e de futebol.


Adorei  o filme “Anaconda” mesmo sem o ter visto.


Adorei  apanhar banhos de sol junto do corpo dela.


Adorei  ter me despedido com ela dos nossos mais queridos amigos, a lua, o pontão, o farol e o mar.


Adorei  ouvi-la a cantar a canção do zás.


Adorei  a forma como ela escreve prosa, utilizando a caneta como pincel e as letras como tinta.


Adorei  o seu sentido de equilíbrio e a forma despreocupada como se veste.


Adorei  a capacidade que teve, que tem e que terá, em me surpreender.


Adorei  o café que me pagou na fortaleza.


Adorei  o recibo das portas do paraíso.


Adorei  sentir a sua cabeça no meu ombro.


Adorei  os beijos e o beijo de despedida.


Adorei  conhecê-la.


Adorei-te 
... 


Adoro o verbo adorar…

sábado, outubro 24, 2009

Olho para a tua foto...


Olho para a tua foto



e tento imaginar o teu rosto,


os traços desenhados,


o cheiro da tua pele ,


o sabor da tua boca,


as linhas do teu corpo,


a sombra do teu seio


o toque dos teus dedos,


os teus cabelos,


o teu sorriso,


a magia da tua arte


o ter-te


e ...





apenas sinto


o sabor amargo ...


da tua mágoa,


do teu ódio,


da tua vontade em
mandar-me à merda,


do desejo que tens,


e das vontades que guardas


do desprezo,


do xaile negro


e do fumo do tabaco


da morte dela


e daquilo que nos matou


aos dois...


olho para a tua foto e
...


tento imaginar
 


quarta-feira, maio 07, 2008

M. A. R. T. A.



E SE UM DIA EU TE ENCONTRAR NUM SONHO
NUM ESPAÇO VAZIO CHEIO DE NADA
EI-DE-TE REVELAR AONDE EU PONHO
A COR QUE ME TROUXE A TUA LÁGRIMA






E SE ESSE INSTANTE SE FIZER ETERNO
NAS FOLHAS DO OUTONO QUE TEIMAM EM CAIR
SEI QUE VOU SENTIR NA PELE O INFERNO
DA CHUVA QUE A SEDE ME TROUXE A RIR










MAS AGORA,
QUE O TEU SORRISO DISTA DO MEU SER
COMO SE A LUA JAMAIS PODESSE SER VISTA
ESCONDIDO ELE FICOU LONGE SEM QUERER
DA MUSICA QUE NASCE
DAS MÃOS DE UM ARTISTA







SÃO ENGANOS COM ME DEIXO ENGANAR
ESCREVO DE PERFIL SEM SEQUER O TER
PERCO O TEU RASTO NAS MARGENS DO MAR
NA ILUSÃO DO SOL QUE A LUA APARENTA SER




MAS TERMINA AQUI,
AQUILO QUE SE QUIS RECUSAR
COMO SE A VIDA FICASSE TODA PARA TRÁS
A TUA FOTO DIZ-ME NÃO
E EU DEIXO DE OLHAR
PARA TI QUE UM DIA...,
ME QUISESTE TRAZER A PAZ








SIMPLES ANOTAÇÃO:
ANDEI A PASSEAR PELO PASSADO DESTA BARCA E REPAREI QUE TU VAIS FICANDO DISTANTE....
COMO FOSSES UMA GAIVOTA QUE SE VAI AFASTANDO EM DIRECÇÃO AO HORIZONTE...
A RESSACA FICOU LÁ PARA TRÁS, NA ESQUINA DE DUAS RUAS QUE UM DIA SE CRUZARAM...
JÁ NÃO TE SINTO TÃO PRESENTE COM A MESMA FREQUÊNCIA COM TE SENTIA....
OLHAR O MAR DEIXOU DE TER AQUELE SABOR AMARGO, QUE POR VEZES TINHA...
TENTAR PERCEBER A MAGIA QUE TINHA O TOQUE DA TUA MÃO, VAI SENDO SUBSTITUIDA
PELA LUTA QUE SE TRAVA COM A IDADE PARA PODER CONTINUAR A GUARDAR NO BAU DAS MEMÓRIAS, TODAS
AS LEMBRANÇAS QUE EU TENHO DE TI...SEM PERDER UMA SEQUER !!
...
DE CERTA FORMA, SINTO-ME CONDENADO..., A UM VAZIO QUE FICOU POR PREENCHER, A UMA AUSÊNCIA
QUE NÃO SE EXPLICA, QUE APENAS SE SENTE.
NUMA ERA ONDE TUDO É TÃO EFÉMERO...
ESSE DIA CHEGOU ... !?!
SERÁ QUE ESTA BARCA VAI CONTINUAR A EXISTIR ... PARA ALÉM DE TI...


QUANDO TU ERAS A PRINCIPAL RAZÃO DA SUA EXISTÊNCIA...

ESTRANHA ESTA SENSAÇÃO DE ALIVIO, AGORA QUE AS NUVENS NEGRAS SE ADENSAM NO MEU HORIZONTE !!

quinta-feira, agosto 09, 2007

Carta ...


Escrevo por aqui..., porque aqui foi unico local que encontrei para poder
deixar as palavras que eu gostaria que chegassem a ti...
Por conta do teu silêncio, que eu não critico, não arranjei forma de as mandar...
por isso talvez as possas ler por aqui...









8 de Agosto de 2007
...
Olá ...
Agora também eu começo a perceber a importância do olá.
e citando alguém ...
" Olá implica conhecimento.
Olá significa socorro.
Olá significa entre outras coisas somente olá .
Olá é amigo, é partilha , é vida. "
Por isso Mar..., mais uma vez olá !!
Perdoa-me não ter respeitado o teu silêncio
agora que te voltei a encontrar... neste mundo virtual da internet
... mas existem palavras que eu, talvez arrogantemente, acho que tem que ser ditas....
uma história para contar...
uma história que eu espero que vás encontrar por aqui ...
...
... engraçado, de certa forma tu tens estado presente na minha vida nos ultimos 3 anos...
desde que o Pescador voltou a ganhar vida...,
...
escrevo um pouco perdido, sem saber muito bem o que te dizer mas querendo ao mesmo tempo dizer-te tanto, e desculpa as reticências..., é um vício que nunca mais consegui perder.
... e desculpa se parece que escrevo sem uma linha de rumo, sem continuidade .., mas como já te disse , escrevo um pouco às cegas...,
...
Parece que foram dias... apenas dias... e já passaram 10 anos !!
como é possível que o tempo voe assim...
e o que se passou nos entretantos !?!?
... eu lembro-me de uma pseudo-despedida no Monumental, naquilo que era o nosso pontão aqui em Lisboa,... lembro-me de ódio, sim, ódio, eu sei que é uma palavra forte... mas foi isso o que senti naquela tarde, naquele dia eu odiei-te, odiei-me... odiei o mundo..., odiei aquele canto...
hum, ao olhar agora para trás reparo que eu era um ser tão ingénuo, ..., tão pequeno e medroso...,sabes, assim à distância vejo-me como um D.Quixote que até contra os moinhos teve medo de investir..., tão pouco homem, tão imensamente cobarde.
Sabes uma coisa Mar..., acabei por escrever um livro, foi uma espécie de exorcismo ... para dizer a verdade, nem sequer chega a ser propriamente um livro, antes um conjunto de textos, cartas, poemas, realidades e ficções... e a mistura de tudo isso !!
Aquela tarde no Monumental, está nele retratada por uma terceira personagem que alguns anos depois se sentou na mesa ao lado da mesa onde se sentaram o Pescador e a Julieta, perdão, onde estavam o N. e a Mar....
Essa personagem num certo momento da vida do Pescador disse-lhe :
"...vi-te claramente, como se estivesse naquele dia, naquela hora, naquele café, na mesa ao lado da tua e presenciasse essa despedida... como uma pintura, olho a curva do teu pescoço nu pela inclinação da cabeça junto ao vidro, vejo os teus olhos vazios porque não estão lá mas nas costas da mulher para quem olhas, as mãos enroladas amarrando-te as palavras... sim, estou na mesa ao lado e olho alguém que não conheço e que subitamente encosta a cabeça no vidro e se perde para sempre..."
desculpa, a citação..., mas por vezes elas conseguem guardar mais do que aquilo que eu agora consigo dizer ou sentir !!
Naquele dia, não te cheguei a contar ... , mas nos meses que antecederam aquela tarde no Saldanha já me tinha perdido..., perdi-me como pessoa, como homem... fui um réles miserável, não liguei a nada nem a ninguém, fiz algumas coisas das quais me arrependo tanto... mas tanto ...,
Por te achar tão inatingível..., tratei outras mulheres como ..., coisas simplesmente tangíveis !!
Ainda guardo na memória as lágrimas de uma menina que eu deixei sozinha no meio de um jardim, junto de um lago...
É por isso que eu precisava de me despedir de ti naquela tarde, percebes, tirar-te da minha vida...,
mesmo já estando distantes um do outro, havia como que uma espécie de cordão umbilical que me unia a ti e que me sufocava, eu precisava, de cortá-lo... para poder viver !!
Desconfiança...,
medo...,
cobardia...
foram sentimentos que me toldavam...,
esperei sempre mais de ti..., fiquei sempre a espera que fosses tu a dar o passo que te traria do teu mundo para o meu mundo... e no entanto o mundo era tão nosso, tão somente o mesmo.
Nunca acreditei que poderia lutar por ti... tinha medo desse teu espaço limitado e cauteloso..., nunca soube lidar com a minha cobardia, com as dúvidas que me assaltavam... , saber se alguma vez poderias sentir aquilo que eu sentia..., se alguma vez eu seria capaz de olhar para ti e não ver em teu redor os fantasmas que me atormentavam. Sim, porque infelizmente a minha cobardia resumia-se a isso..., um temor, um receio, um medo profundo de não poder chegar aonde as ondas e as marés em ti chegavam !!


... e nunca te o disse...
Ridículo não !!!
Uns anos mais tarde ao ler as palavras que trocamos, descobri nelas, nas tuas, imagens que naqueles dias não consegui ver..., mas já era tarde !!
Como vês, imensamente cobarde..., procurando justificação no que poderia acontecer em vez de procurar fazer com que o mundo acontecesse...
Por vezes me pergunto se te amei assim tanto ?!?
... por vezes duvido, mas logo em seguida apercebo-me que fui sempre eu que nunca quis optar, dar um passo..., arriscar, lutar por ti..., tu foste a mulher que eu mais amei em toda a minha vida... e eu tenho a certeza que nunca mais irei amar assim alguém ..., nunca....
E sabes, de todas as mulheres por quem eu senti algo, tu foste aquela por quem eu lutei menos..., paradoxal !?!?, eu diria antes irónico, surrealista...,
desculpa se te pareço desconexo...
tento dizer qualquer coisa...
tento dizer...
tento pedir...
desculpa Mar..., desculpa por nunca ter lutado por ti...,
por nunca te ter feito minha... só minha
as mãos tremem-me ao escrever,
merda, nunca honrei o que senti por ti...
na verdade nunca te honrei como a mulher incrivel que tu eras e por certo continuas a ser
...
... .
Mas continuando ...
Houve um dia que eu finalmente consegui que o Pescador saisse da minha vida... ele adormeceu, como na história do Peter Pan....
Para isso contribuiu eu ter conhecido alguém , e com esse alguém serenei..., ... uma vida normal, quase que diria banal..., um amor tão humano, tão certinho..., tão reflexo do amor que pode existir entre um homem e uma mulher..., quando o é apenas isso, uma amor sem alma!!
Porque é verdade Mar..., pode haver amor sem alma..., experimentei-o...acho que me habituei a ele !!
... e os anos passaram.
Há três anos atrás, mergulhei no mundo da ... realidade virtual..., e fui encontrado por uma ... Sereia :-)... já viste, que mania esta a do Pescador em encontrar personagens do Mar !!
Acho que foi nesse momento que senti que aquele ser que caminhou junto contigo, na areia de uma praia, estava de novo acordado...,
E o que era para ser simplesmente Nickname... voltou a ser de novo ... o Pescador !!
Em relação à Sereia..., ela deu-me um sopro de vida como eu já não sentia a muito tempo e em troca eu dei-lhe o rumo..., sabes, nós os Pescadores até percebemos um pouco desse assunto, estabelecer coordenadas, , rotas e rumos... simplesmente lhe disse por onde ela poderia ir... para encontrar aquilo que ela queria encontrar...
nunca mais a vi..., mas também sei que só tinha que a ver assim, uma vez !!
Ridiculo !?! Disparatado !?! Estranho !?!
Talvez..., não sei !!
Mas não era assim no tempo do Pescador e da Julieta !?!?
Surrealista, diferente... irreal, azul !?!?
Acho que o N. e Pescador chegaram a um acordo desta vez , o Mundo Real era do N. e o Mundo virtual do Pescador!! Tem sido por vezes dificil de cumprir esse acordo..., porque aqui, no mundo virtual dos computadores, da net, dos HI5, Myspace, Youtube, Blogs, etc..., por vezes o virtual é um mundo com 3 dimensões e um q.b. de almas e emoções..., de certa forma um mundo mais real e mais verdadeiro !!
...
Tenho um blog..., uma barca diria antes... que já navega desde meados de 2005 !!
Tu estás lá... pedaços de ti, da tua alma..., do teu corpo... um corpo que nunca quis verdadeiramente conhecer..., mas que consegui sempre adivinhar !!
Tu estás lá em cada palavra, em cada som... em cada imagem... , tu foste a razão dela existir, porque ela ruma, buscando encontrar aquilo que já não existe... e que no entanto, ainda é razão suficiente para ela navegar..., para ela se manter à tona...
Por tua causa, desenvolvi uma paixão louca pelos U2 ..., arranjei todos os albuns deles, incluindo algumas gravações piratas de concertos ao vivo ...
CK One..., tornou-se o perfume do Pescador !!
O Pescador ....
Sabes, encontrei um refugio no alto de uma falésia... ali para os lados da Praia do Meco..., local onde me sinto vivo !! É como que o esconderijo do Pescador no mundo real !! E nem sei muito bem porque te conto isto !! Acho que é a necessidade de partilhar contigo um pouco do que aconteceu ao Pescador.
Em relação a mim , bem, moro ao pé de uma Baia, que fica perto de um rio, de um mar e de um oceano !!
Sou casado..., não tenho filhos, estou diferente do N. que conheceste...
Tenho os olhos mais claros..., esverdeados agora que o verão se aproxima, o cabelo está grisalho ( herança genética )... estou mais forte ..., já não sou aquele rapaz magro que tu conheceste ,

Estou mais velho...
Sinto-me mais velho...,

terrivelmente mais velho ....
mas acredita que sou eu, simplesmente eu ....
E tu Mar... por onde andaste !?!? ....,
para onde a vida te levou !?!? ...
O que fizeste dela !?!?
Já reparei que visitaste Africa....
a minha Africa...
Continuas a jogar ...
És jornalista !?!?
Professora !?!
...
Encontraste o amor da tua vida !!??
...
Gostava de te poder voltar a ver...
... apenas gostava de te ver
ver se o mundo ainda brilha nesse teu olhar que sempre conheci cheio de vida...
espero que a vida não tenha sido madrasta contigo...
e que sejas feliz, muito, mas mesmo muito !!
Seria engraçado voltar a sentar-me à mesa contigo e...
" Por vezes, falavamos apenas com os olhos..., a quem folhas de papel e canetas davam voz..., o resto era silêncio..., é bastante diferente do que estar a conversar por mail ou pelo Messenger..., havia os olhos, os rostos , as mãos...,os corpos.... e um silêncio ..., por vezes era uma tarde de silêncio apenas interrompida pelo barulho dos copos de cerveja alemã quando se brindavam, o som inaudível de mãos que se tocavam e o barulho dos outros..., aqueles que nos rodeiavam. Era um pouco surrealista..., mas assim também o era a nossa... "relação " (...) "
sabes, tenho meditado sobre o teu silêncio tentando adivinhar as tuas intenções...
mas agora acredito que vou perceber o teu silêncio...
que vou respeitá-lo
mas dói..., merda como dói...
....
só agora percebi quem é que foi que escreveu esta carta ...
....
eu sei que um dia, daqui a muitos anos, quando as rugas pintarem os nossos rostos,
eu vou-te encontrar a passear pelo areal da Praia da Rocha...
nesse dia, eu sei que o mar nos virá buscar ...
Beijos minha doce Julieta
eu vou te amar para sempre
Pescador

PS: De repente fico com a sensação que talvez me despeço de alguém e de algo também.
... e sei que se tu não as vieres buscar, as palavras, o livro acaba aqui, hoje, dez anos depois !!














NOTA: Vou de férias..., Cabo Espichel e Açores...

em principio só volto a estes mares em Setembro...

votos de umas fabulosas férias para todos aqueles que

visitam este canto....