terça-feira, setembro 19, 2006

Mulher bailarina

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Oh doce bailarina
com asas de borboleta
que escondes o desejo
de ser apenas mulher
Danças sobre o palco
escondendo uma lágrima
e bailas sobre a vida
fugindo de Moliére
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" Chegaste de passos apertados
Os olhos embargados
Cheios de medos teus
Pediste que te levasse a mágoa
E que te tocasse a alma olhando para os meus "

****

Teu corpo gasto
numa alma sedenta
presa a quem te procura
por um mero segundo
Deixou-te um sorriso vago
que sozinho só disfarça
O sonho de um canto
quando o que tens ...

é o mundo


****
"Apertei-te contra ao peito, num abraço perfeito "

****


E tudo se resume
a um foco de luz
que te prende
a tábuas de cânfora
onde um gesto perpétuo
se reduz
aquilo que o teu olhar
num desejo alcança

****


"A rua como companhia
Às vezes escura e fria
Pura realidade
Ninguém olha p'ra ti
Com olhos de gente
Até mesmo indiferente
A quem és de verdade

Esquece o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar "

****




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" Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe


Esqueçe o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar


Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe
até de mim
até de mim "

****



****

Mas hoje não...
porque tu hoje
vais dançar "só p`ra mim"
meu anjo de olhar negro
meu perfume de doce jasmim


E hoje vais dançar "só p`ra mim"
quando isso é apenas e somente
dançar para ti

...
e por isso hoje dançamos ...
meu anjo...
minha doce...
mulher-bailarina

quinta-feira, setembro 14, 2006

Tentar esquecer...

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Esqueço o que vi
e já não me quero lembrar
se mereço estar aqui
se aqui mereço estar
...
pois sei que o meu preço é
com o teu ter que sofrer
pagaste-me com desprezo
o que eu te dei sem querer
*

*
e esqueço
que já não me consigo lembrar
o que te prometi
numa promessa ao luar
quando me esqueci
que tinha que me esquecer
esquecer-me de ti
de ti me esquecer
*
*
e esqueço
o teu nome e a tua morada
a cor dos teus olhos
e os molhos de cartas
esqueço os retratos
e as pegadas na praia
esqueço-me de ti
outrora doce
agora amarga
*

*
e esqueço....
mesmo quando esquecer
é apenas não querer lembrar
as letras que foram um todo
na palavra que não iria quebrar
porque esquecer é um verbo
que não tem tempo futuro
é apenas um sentimento duro
de quem não consegue esquecer
de quem não se quer lembrar
*

quinta-feira, setembro 07, 2006

O Quadro...

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São lágrimas de uma pastora
a chover na terra
É uma sombra
numa pintura de Millet a chorar
São pétalas de uma rosa
numa jarra perdida
Chorando por uma dor esquecida,
com as lágrimas
de uma flor a chorar
*
São estradas paradas,
entre ruas para correr
São caminhos cruzados,
e um pé para andar
É um sorriso desalegre…,
de quem se quis esquecer
sabendo o que se dizia
sem saber o como sonhar
*
Era uma voz suave
num rebanho a gritar
E alguém sentado
numa planicie a ouvir
A voz de quem andou
por ali a pregar
A voz de quem andou
por ali a rir
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E sob a luz de uma tela
a escuridão d’um poema
E na letra de um som,
um espirito retratado
Que fala de um vazio,
preso a uma pena
Onde um olhar esconde,
o desejo de ser encontrado
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Se existe um quadro que me fascina é este
"Shepherdess with her Flock"
de Jean Francois Millet
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Porquê ???
Não sei...

segunda-feira, agosto 28, 2006

De volta.... ao mundo dos vivos !!

Querem ouvir um segredo...

schiuuuuuuuuuuu...

ouçam...

" Through the mirror of my mind

Time after time

I see reflections of you and me "

+

" (...)

Estes são as últimos sons que derramo sobre uma folha de papel. Um a um, eles voam e sei que nunca mais voltam.
Posso deixar que o vento leve tudo sobre aquilo que vi, tudo aquilo que senti, até mesmo tudo aquilo que nunca existiu, mas duvido que haja tempo.

(...) "

+


" Agora está tudo acontecer com demasiada rapidez, e não consigo encontrar mais folhas…, e o fim é já na página seguinte."

+























+


(...) Não espero que me compreendas nem que entendas.
Tu não o sentiste e, mesmo que o tentasses, não conseguirias imaginá-lo. Estas são as minhas últimas palavras. Um pontão que existiu ali, hoje já não existe. A praia por onde caminhamos ontem, foi hoje engolida pelo mar .
Até o clima rege-se pelos caprichos de uma criança. Hoje chuva, amanhã neve. Ontem nevoeiro, para semana calor. Dias de vento, seguidos por dias de quietude….

(...)

+

+

" ...

(...)
Depois de algum viver, aprendi a não tomar nada como garantido. Fecho os olhos por um momento, viro-me para olhar para uma flor, e a coisa que estava à minha frente desapareceu de repente. Nada dura, percebes, nem mesmo os pensamentos dentro de mim. E talvez não deva desperdiçar o meu tempo à procura deles. Uma vez que uma coisa desaparece, é o seu fim."

+


" Lembro-me do que ela me disse antes de eu ter nascido. O Amor tinha desaparecido, disse ela, e, independentemente da intensidade com que eu o procurasse, jamais o encontraria. Foram estas as suas palavras. E depois eu disse-lhe que não me interessava o que ela dizia, que eu ia encontrar o Amor. A seguir embarquei naquele terrível viagem e deixei-a. Há quanto tempo foi isso ? Já não consigo lembrar-me. Anos e anos, acho eu. Mas é apenas uma conjectura. Não tenho ilusões quanto a isto. Perdi a minha orientação, a minha humanidade, e nada alguma vez ma restituirá."
+


*

" (...) Uma coisa é certa. Se não fosse pelo meu ódio, não seria capaz de continuar. Tenho sempre que desejar o mais que puder. Querendo mais, só me contento com mais ainda, e quanto mais precisar, mais forças terei para o obter. É isto que ser homem nos faz. Faz com que eu queira viver, e ao mesmo tempo tenta arrebatar-me a vida. Não há fuga para isto. Ou tu te aguentas ou não. Se aguentas…, não podes ter a certeza de o conseguires da próxima vez, embora para mim, cada vez pareça ser mais fácil. Se não aguentas…, nunca mais o voltarás a ser, e morres…, sozinho no meio de uma multidão de máscaras."

+

(...)


" Não sei porque estou a escrever-te agora. Para ser honesto, poucas vezes pensei em ti, nestes últimos dias. Contudo, depois de todo este tempo, sinto que há qualquer coisa para dizer escrevendo e, se não a escrevo rapidamente, rapidamente ela se perderá no que fica para trás. Não importa se vais ler esta carta. Nem sequer me importa se a vou mandar. Talvez tudo se resuma a isto.
Estou a escrever porque tu estás longe e não sabes....
Nunca o soubeste....
Nunca o hás de saber….
Apenas eu sei que o amor...

... é teu para sempre.

Adeus Julieta
deste teu, para sempre, Pescador…."

Obrigado, P.A.