Por entre ondas vencidas e rotas incertas, sigo o rasto da espuma de um olhar ....
sexta-feira, outubro 05, 2007
sábado, setembro 15, 2007
Prostitut(a) !?!?

Num copo de vinho frio fica o conforto
É o cristal que lhe diz para não chorar
Deitada espera que se venha rápido o porco
Em lábios fechados vazios a secar
Mas a noite está lá para lhe lembrar
Das mãos sujas que lhe tocam a medo
Dos olhos negros que lhe tentam magoar
Com o poder da posse que lhes dá o ego

Mas o quarto vazio é agora o único amigo
E o final da noite um quente cobertor
As notas deitadas na cama são o inimigo
Deixadas pelo Juiz e pelo Sr.Professor
O dinheiro não lhe trouxe a liberdade
Passou a ser apenas um disfarce a usar
Para que ela não pense na possibilidade
De se estar a vender ou a deixar comprar
Perder a alma não é vida para uma jovem
Mas é tudo uma questão de sorte ou azar
Pois a mulher que se vende a um homem
Espera sempre,
que ele
nunca
a consiga comprar
domingo, setembro 09, 2007
Vinho que amargou

(Embriaguez de quem ficou sóbrio)

Faz algum tempo
Des-do`dia que passou e que te encontrei
numa palavra dita com espanto
sobre aquilo que eu não disse
ou aquilo que eu pensei

Jovem tu eras e não era certo
O que te calei quando tudo aconteceu
pois nunca pensei que o longe ficasse perto
daquilo que por todo lado
em lado nenhum nasceu

Eu não tinha muito jeito para pouco amar
Apenas um poema esquecido eu rascunhei
Lembro-me da tua roupa e do cheiro do mar
Que no teu meu corpo pintado, eu achei...

Na primeira noite calei-me à luz do amor
E tu falaste-me do fim que tem o eterno
Junto ao mar deixaste-me impregnado o-dor
Da marca do sol com o sabor do Inverno

Em tempos tu foste a minha respiração
Mas agora eu sei que essa flor já secou
E o que outrora foi o licor do coração
Tem agora o sabor de vinho que amargou

Eu sei que hoje eu já não te faço rir
Mas ontem tu rias daquilo que eu dizia
E quando as palavras custavam a sair
Na minha pena encontravas,
aquilo que na minha voz eu não via


Lembro-me da cerveja à sombra do rio
E do Saldanha que nos levou a voar
Lembro-me do sabor do filme que se viu
Mas agora...,
tudo tem o sabor de vinho a`amargar
(...)
.
***
Muito vagamente inspirado num poema americano do século passado
Como tudo aquilo que desiste na vida
Até o amor eterno tem que morrer
Ninguém ficou a chorar por ele naquela esquina
Quando ele morreu
e eles sozinhos ficaram a ver...
***
Muito vagamente inspirado num poema americano do século passado
PS: Procura-se nova rota para a barca..., talvez uma ilha...
terça-feira, setembro 04, 2007
A Ilha do Arcanjo
"Onde o mar, com paredes de vidro, rodeia o centro inviolável: A Ilha"
"Eu vos direi da ilha que na dornado
Arcanjo é eterna em chão escasso.
Fulva de gado ao dia. À noite, morna.
Embebida no verde. E o mar colaço.
Ilhado alumbramento em templo torna
a unção de comtemplar. Um ténue traço
de garça entre água e céu. A paz encorna
em lagoa e lavoura o tempo e o espaço.
Tanto silêncio confiado à luz!
Trema um nenúfar se um trilo tremeluz.
Caiam o sol de azul os agapantos.
Na cevadeira a broa luminosa,
romeiros nos persignam com uma rosa.
Suas rezas joeiram pombos santos."
Natália Correia
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