terça-feira, setembro 26, 2006

A multidão, Vol.I : O cacilheiro





*

Num cacilheiro
cheio de episódios
Retratos vazios
de uma vida qualquer
Uns eram novos ...
e outros eram velhos
E na dúvida eram segredos,
no corpo de uma mulher…
*

*
E num cacilheiro
ela brincava
Presa por ondas
às margens da realidade
Junto de uma onda
com que sonhava
E que perdida ficou....
naquele cais
pela saudade

*

*
E o barco laranja

mergulhava nas ondas
Cortando delicadamente
a sua espuma
E á minha frente
riam-se duas tontas
das piadas de uma delas,
contada por uma

*

*
E então o rio acabava
aos pés d’uma estátua
e as pessoas voltavam a esmagar
quem elas são
Fogem em passo acelerado
da sua mágoa
E em curtas passadas,
elas passam
por onde vão

*

*
...
... atravessar o rio já não tem a mesma magia de outrora

12 comentários:

Célia disse...

Olá Pescador Amigo,
Esta viagem de cacilheiro, trouxe-me recordações de infância.
Lembro-me de apanhar o barco para a Trafaria, daí seguíamos de autocarro para a Costa da Caparica.
Era sempre uma emoção. Nós, habituados á calma da Ilha, quase que nos perdiamos naquele "mar de gente" cheio de pressa.
Chegava mesmo a perguntar "Mamã porque correm estas pessoas?". Não compreendia aquela movimentação toda, afinal a ida era para a praia, para quê tanta pressa?
Pois, enquanto que nós estavamos de férias no continente, as pessoas dos barcos queriam chegar o mais rapidamente possível aos seus empregos/casas/afazeres.
De facto, só compreendi essa correria toda quando fui viver para Lisboa e passei a fazer parte das "pessoas que correm para os transportes".
Depressa me fartei e voltei à minha Ilha do coração.
Enfim...
Beijos Pescador.

Anónimo disse...

O rio!
Este rio,o Tejo,Lisboa,gente,o anonimato,caminhar e viver entre as gentes...gosto,sorri!
Eu sou uma apaixonada por Lisboa,na minha hora de almoço "fujo"para o Chiado,sorri,gosto de comer vendo o castelo e os telhados das casas,a colina...espreitar o rio...
Não corro!saboreio esse perder-me entre as pessoas,diferentes,adoro esta luz,este colorido,o olhar...sou feliz neste mergulhar na cidade!
Em cada regresso,como diz a canção,arrepio-me ao ver Lisboa,o rio,esta luz...não lhe chamo saudade mas é um doce prazer.
O cacilheiro,ri-me,não consigo viajar dentro,gosto de sentir a brisa,de ver,sorri, gosto de vir na proa de um barco,prefiro outros,adoro veleiros...ui,que sou do mar mesmo,sorri.
Tanta coisa,adoro água e gosto de ver o rio entrar no mar...e o mar é, de facto ,um elemento da minha harmonia,falta-me!
Sabes pescador sou a M,eu gosto de pensar quem tu és,sentir que és quem eu penso,um olhar que guardo e mais ...sorri,de que não consigo nem quem quero deixar de gostar,ups,gosto de um homem do mar,ri-me,coisas minhas,deixa lá!
um beijo,doce,eu volto,gosto
M

A. disse...

um sorriso meu querido amigo...





...deixo mil.parece que te encontraram ;)

Sophie disse...

Esta viagem, fez-me ficar em silêncio... é incrível como há silêncios que magoam mais que o ruído, silêncios tão intensos que nos fazem pensar...
Adorei, amigo!
Foi bom voltar atrás no tempo, nesta tua viagem de cacilheiro.
Um beijo meu.

Aran disse...

Nunca gostei dos cacilheiros... parecem latas gigantes a boiar no Tejo... [isto para não dizer outra coisa!!! ;)] embora já tenha viajado neles... um beijinho

Pescador disse...

Célia: E é tão bom voltar ao local onde está o nosso coração...
Definitivamente a Ilha da Madeira, deve ser um local mágico...
talvez para o ano que vem... quem sabe ;-) !!
Beijocas docesssssss
Pescador

Pescador disse...

Sabes que estou a sorrir...
um sorriso ao escrever estas palavras e parece que ele se colou ao meu rosto ;-) !!
Devo-te um café não é M !?!?
Ou será que me engano !!?!?
Talvez na Brasileira... em frente à Estátua do Pessoa...!?!!
Ou seria noutro sitio qualquer ?!?
Ou será que me engano totalmente e tu não és quem eu penso que sejas !?!?
Guardas-me o olhar !?!?
Então será que já te o dei !?!?
Quem és tu ...
M !?!?
Ma !?!?
Mar... !?!?
Ou será que me engano outra vez..., mais uma vez !!
Será que não vou ter certezas sobre quem tu és !?!?
Acho que tu não és quem eu pensava... e isso assusta-me !!
E desculpa..., desculpa por tentar adivinhar, assim desta forma,
lançando palavras para o mar como isco..., desculpa !!
Mas gosto de ti sabias... mais uma vez sem saber sequer quem tu és ...
gosto porque tu amas o mar... logo só posso gostar de ti ...
...
Andas de um lado para outro do rio...
Amas uma cidade que hoje ainda me diz tão pouco... quando em tempos me disse tanto !!
Chiado...;-) !!
Bairro Alto... subir a Rua do Carmo..., o Rossio e o Terreiro do Paço...
Sabes M., sou o Pescador...,
e gostava de saber quem tu és !!
Beijos doces e um sorriso colorido ;-) pa ti !!
Pescador

Pescador disse...

A.: Será !?!? Duvido...
Mas era engraçado !!!!
Beijocas docessssssssssssssss
Pescador

Pescador disse...

Olá Sophie!! É verdade... existem silencios tão incomodativos...
tão crueis... como se por vezes um silêncio tivesse cheio de palavras !!
Um beijo teu ;-) ... e em troca um sorriso meu ;-) !!
Beijocas doces
Pedscador

Pescador disse...

Aran: Mas levavam-me deste lado para esse lado.., e tinha a sua magia...,
era diferente !!
Agora..., raramente atravesso o rio...
....
Beijocas docessssssssssssssssssssss e sorriso do tamanho do mundo ;-) !!

Bazuco disse...

Eu e o cacilheiro temos muito que contar.Foi no cacilheiro que entorpecido me deixei adormecer.Foi no cacilheiro que vi lx ao longe, e me senti feliz.Foi no cacilheiro que me senti amado!
Gosto muito deste espaço (e do poema também) 1 abraço

Drops disse...

... e chega a recordação de caminhar devagarinho por entre essa multidão, sentir o tempo a passar por mim naquela velocidade alucinante, e eu a ficar, no tempo e no espaço... triste ou contente, não importava, ficava sempre de olhos bem abertos, saboreando uma sensação de liberdade magnífica.....

e estou de volta pescador, de volta à realidade.

um beijo enorme, sabor a leite condensado e paçoquinhas (amendoim, com sal e açucar!) que descobri do lado de lá do Atlântico