domingo, maio 06, 2007

Um rio de poetas...




Os tufões pelo mar, na escuridade
Escreveu Antero de Quental um dia
Escreveu só...,mergulhado na saudade
De um poeta, que a sua donzela não via






No fundo da gaveta, o que produz o estudo...
Perguntou a Rodin, o poeta Cesário Verde
Não se tem nada, e anseia-se por tudo
Até a morte, num copo que verte








A noite reina(...) já tudo dorme na próxima aldeia...
Declama António de Feleciano Castilho
Que declama o sofrimento de quem anseia
Por um cego que só nasceu como filho








Meiga Lua!! Os teus segredos onde os deixaste ficar...
Questiona-se João de Lemos, sobre o local
Talvez no céu, onde as estrelas sabem brilhar
Talvez no mar, onde a água se casa com o sal






Se tu, homem que és tu, ente mesquinho...
Soares Passos atormentado escreveu
És a dor que maldade, temos por destino
Fonte obscura do poeta que não sofreu






E é amar-te, assim, perdidamente...
Palavras doces de Florbela Espanca
Jovem que somente sofreu...,só se sente
Mulher que não soube deixar de ser criança



Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito...
Onde chega de barco com Fernando Pessoa
Onde escrever o seu ser não é delito
E andar na rua, somente se for, com uma senhora




Minha alma é como um pastor...
De nome tido como Alberto Caeiro
O poeta faz da palavra uma flor
E da sua sombra, a sombra de um pinheiro





Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir...
E Álvaro de Campos assim o fez de noite ao luar
Porque um poeta a chorar, tem sempre que sorrir
Porque se não sorri, nada mais faz do que chorar






Que importa aquele a quem já nada importa...
Di-lo Ricardo Reis num poema artificial
Assim espera-se por alguém...,
Que não é ninguém por detrás da porta




Escrevendo poesia, palavra providencial
Saudades desta dor que em vão procuro...
Levam Camilo Pessanha a simbolizar
A luta do poeta para destruir o muro




A luta do homem para a vida, poder navegar
Oh meus irmãos, da embriaguez da guerra...
Porque não caiu também Alexandre Herculano !?!
Porque não geme aquele, que o gemido quisera !?!





Porque é que para deus, tudo é profano
Por mares nunca dantes navegados, uma epopeia ele escrevia
O sentir da alma de marinheiros mandados
Para um mar distante, que o poeta desconhecia




...


Uma Homenagem aos poetas
ao falar português ...
...















3 comentários:

Anónimo disse...

yirwpiNum impulso escreveria só:enorme!

Que pérolas pescador!uma a uma...outros vêm mas nem todos com a delicadeza de quem sabe onde e como existem e naturalmente vivem...como lhe pegas!

Quase se (pre)sentia...mas esta alma de mar assim dita é um hino.

Escreve-se assim quando flui,porque não é fácil...não há arte por obrigação ou por circunstância.
Sorri.
Obrigada por teres partilhado.
Um beijinho por te ter apetecido escrever.
Estou fascinada com esta tua capacidade de "LER" português
Beijinho grande
M

Anónimo disse...

Antes da primeira palavra apareceram as letras da primeira "word verification" que tive que escrever e não fazem parte do comentário,claro.
Beijinho
M

Aran disse...

Bela homenagem aos nossos poetas... Bonita música...
E ao que parece gostaste do significado que atribui às "pérolas"... agora sim... alcancei...
Mas continuo a achar sempre estranhas as tuas escolhas musicais, o que não quer dizer que não as aprecie... antes pelo contrário... mas mexem sempre comigo... porque será!?!?
Um beijinho grande e bom domingo
Aran