quinta-feira, setembro 14, 2006

Tentar esquecer...

*

*

Esqueço o que vi
e já não me quero lembrar
se mereço estar aqui
se aqui mereço estar
...
pois sei que o meu preço é
com o teu ter que sofrer
pagaste-me com desprezo
o que eu te dei sem querer
*

*
e esqueço
que já não me consigo lembrar
o que te prometi
numa promessa ao luar
quando me esqueci
que tinha que me esquecer
esquecer-me de ti
de ti me esquecer
*
*
e esqueço
o teu nome e a tua morada
a cor dos teus olhos
e os molhos de cartas
esqueço os retratos
e as pegadas na praia
esqueço-me de ti
outrora doce
agora amarga
*

*
e esqueço....
mesmo quando esquecer
é apenas não querer lembrar
as letras que foram um todo
na palavra que não iria quebrar
porque esquecer é um verbo
que não tem tempo futuro
é apenas um sentimento duro
de quem não consegue esquecer
de quem não se quer lembrar
*

quinta-feira, setembro 07, 2006

O Quadro...

*

*
*
São lágrimas de uma pastora
a chover na terra
É uma sombra
numa pintura de Millet a chorar
São pétalas de uma rosa
numa jarra perdida
Chorando por uma dor esquecida,
com as lágrimas
de uma flor a chorar
*
São estradas paradas,
entre ruas para correr
São caminhos cruzados,
e um pé para andar
É um sorriso desalegre…,
de quem se quis esquecer
sabendo o que se dizia
sem saber o como sonhar
*
Era uma voz suave
num rebanho a gritar
E alguém sentado
numa planicie a ouvir
A voz de quem andou
por ali a pregar
A voz de quem andou
por ali a rir
*
E sob a luz de uma tela
a escuridão d’um poema
E na letra de um som,
um espirito retratado
Que fala de um vazio,
preso a uma pena
Onde um olhar esconde,
o desejo de ser encontrado
*
*
*
Se existe um quadro que me fascina é este
"Shepherdess with her Flock"
de Jean Francois Millet
*
*
*
Porquê ???
Não sei...

segunda-feira, agosto 28, 2006

De volta.... ao mundo dos vivos !!

Querem ouvir um segredo...

schiuuuuuuuuuuu...

ouçam...

" Through the mirror of my mind

Time after time

I see reflections of you and me "

+

" (...)

Estes são as últimos sons que derramo sobre uma folha de papel. Um a um, eles voam e sei que nunca mais voltam.
Posso deixar que o vento leve tudo sobre aquilo que vi, tudo aquilo que senti, até mesmo tudo aquilo que nunca existiu, mas duvido que haja tempo.

(...) "

+


" Agora está tudo acontecer com demasiada rapidez, e não consigo encontrar mais folhas…, e o fim é já na página seguinte."

+























+


(...) Não espero que me compreendas nem que entendas.
Tu não o sentiste e, mesmo que o tentasses, não conseguirias imaginá-lo. Estas são as minhas últimas palavras. Um pontão que existiu ali, hoje já não existe. A praia por onde caminhamos ontem, foi hoje engolida pelo mar .
Até o clima rege-se pelos caprichos de uma criança. Hoje chuva, amanhã neve. Ontem nevoeiro, para semana calor. Dias de vento, seguidos por dias de quietude….

(...)

+

+

" ...

(...)
Depois de algum viver, aprendi a não tomar nada como garantido. Fecho os olhos por um momento, viro-me para olhar para uma flor, e a coisa que estava à minha frente desapareceu de repente. Nada dura, percebes, nem mesmo os pensamentos dentro de mim. E talvez não deva desperdiçar o meu tempo à procura deles. Uma vez que uma coisa desaparece, é o seu fim."

+


" Lembro-me do que ela me disse antes de eu ter nascido. O Amor tinha desaparecido, disse ela, e, independentemente da intensidade com que eu o procurasse, jamais o encontraria. Foram estas as suas palavras. E depois eu disse-lhe que não me interessava o que ela dizia, que eu ia encontrar o Amor. A seguir embarquei naquele terrível viagem e deixei-a. Há quanto tempo foi isso ? Já não consigo lembrar-me. Anos e anos, acho eu. Mas é apenas uma conjectura. Não tenho ilusões quanto a isto. Perdi a minha orientação, a minha humanidade, e nada alguma vez ma restituirá."
+


*

" (...) Uma coisa é certa. Se não fosse pelo meu ódio, não seria capaz de continuar. Tenho sempre que desejar o mais que puder. Querendo mais, só me contento com mais ainda, e quanto mais precisar, mais forças terei para o obter. É isto que ser homem nos faz. Faz com que eu queira viver, e ao mesmo tempo tenta arrebatar-me a vida. Não há fuga para isto. Ou tu te aguentas ou não. Se aguentas…, não podes ter a certeza de o conseguires da próxima vez, embora para mim, cada vez pareça ser mais fácil. Se não aguentas…, nunca mais o voltarás a ser, e morres…, sozinho no meio de uma multidão de máscaras."

+

(...)


" Não sei porque estou a escrever-te agora. Para ser honesto, poucas vezes pensei em ti, nestes últimos dias. Contudo, depois de todo este tempo, sinto que há qualquer coisa para dizer escrevendo e, se não a escrevo rapidamente, rapidamente ela se perderá no que fica para trás. Não importa se vais ler esta carta. Nem sequer me importa se a vou mandar. Talvez tudo se resuma a isto.
Estou a escrever porque tu estás longe e não sabes....
Nunca o soubeste....
Nunca o hás de saber….
Apenas eu sei que o amor...

... é teu para sempre.

Adeus Julieta
deste teu, para sempre, Pescador…."

Obrigado, P.A.

sábado, agosto 12, 2006

off ...

*
*

" Foram tantas as palavras que derramámos,
foram tantos grãos de areia que juntos pisámos….
E à noite, por entre dispersos episódios de uma vida de teatro,
o reflexo do teu brilho na lua,
e a luz dessa lua no meu olhar."
*

*
Vou passar um tempo fora...
no sul ...
em terras de mouros e calor...
talvez enfrentando alguns fantasmas
não sei...

...
"peço desculpa" a quem "devo" palavras
... vou tentar pintá-las antes de partir

Até Setembro...

espero voltar de novo em

"on"


Bjs doces e abraços sentidos

Pescador